23 de agosto de 2018

Poemas no Cinema - iii

CETTE BLESSURE

A cena final é comovente e poética,
e para piorar tudo, Vanessa Paradis
canta Cette Blessure, de Leo Ferré, e
sous des larmes qu'affile le désir,
a decadente estética de saltimbanco
para uma felicidade, ao fim, inútil, patética.
E a respiração dela ouve-se por
entre as linhas da canção.
No peito, fundo, o coração. Enfim.
A vida seria insuportável se fosse eterna,
assim, curta demais, sempre se aguenta
como objecto de desejo. Mas não há consolo.
O mal cai mesmo ao nosso lado, e
já nem lembramos porque nos fizemos inimigos,
nem há riso quando o amor que nos deixou
é deixado e assistimos, nem aplaudimos,
nem quando ganhamos a batalha e a guerra
e todos os clichés de uma só vez.