31 de agosto de 2018

Amour

AMOUR

Sento-me à mesa e
de frente para mim,
a cadeira vazia.
Ai, come os ovos, Maria!
A escova de dentes,
em cor-de-rosa-coitada,
no copo abandonada
não percebe nada de
nada mas queria.
Ai, põe-lhe a pasta e
sente a menta, Maria!
Olho em volta: é tudo dois,
a casa de dois, não há depois
de tanta simetria.
Ai, fecha os olhos, Maria!
Chego ao computador, que
saudade, amor, de quando
te via - e só a folha branca, vazia.
Ai, cala-te e escreve, Maria!
O Amour é aceso gás néon,
perdão, é francês para não,
ou melhor, non.
Ai, amour, non, Maria...