17 de junho de 2016

Os anjos sentam-se connosco à mesa nas cadeiras vazias



Já aqui contei que saloios de Memphis, Tennessee, ou dos quatro costados, é comigo. Sei lá porquê, talvez pelo bem que fazem à gente quando usam a nossa fraqueza ao peito.
Hoje, esta noite, ainda há pouco, estava contar a mim mesma a história de como a vida me tem sido boa. É isso: além de coleccionar palavras, e frases que as pessoas dizem, música de ouvido para quem escreve, colecciono felicidades, bondades, sonhos que sonho à noite enquanto durmo, e outras mínimas criaturas, coisas pequeninas, um verso, que nascem no escuro e crescem, crescem sempre em direcção à luz.
A vida tem-me sido boa. Até quando não foi. Nunca me fez tropeçar no que não se revelasse depois um degrau, nem tive sofrimento que não fosse necessário - vá-se lá perceber isto, a gente a deitar contas, a procurar entendimentos, e a água a correr sozinha, sem ninguém lhe ensinar o caminho, em direcção à sede. É assim, são as perfeições que não se deixam explicar, chegam vestidas com outra roupa, até rasgada, mas o coração vê, e quando mais vê, mais vê.