14 de junho de 2016

Ela voltou, a minha andorinha

ELA VOLTOU, A MINHA ANDORINHA
Tenho uma andorinha. Não que ela seja minha. Ela, a ser de alguém, é dela. Mas nem por isso deixa de me visitar: é o terceiro ano em visita, e desta vez, fez como da segunda vez - contei tudo aqui, até a terrível primeira vez, e o mais que possa dizer é repetição, tirando a grandíssima interrogação que esta visita me faz por dentro, pois onde mais seria o avesso do pensamento, se não fosse no raio do sentimento?
Ó andorinha, és minha? Vens-me ver? Ou vens para que te veja?

E eu toda aflita de não ter aprendido ainda como receber esta linda visita alada, vá de ir escancarar janelas à madrugada - não porque queira pôr na rua uma pequenina menina andorinha, porém, e se se enganou, se se assustou, se sabe Deus o quê, a cabeça não me pára de pasmar de ter uma consecutiva andorinha a voar-me casa a dentro Primavera e Outono, às duas e pouco não é tempo de mais nada, se não da minha andorinha, à hora certa, certíssima, um ano após outro, ó mistério, ó ignorância ornitológica...
Depois fico muito quieta. Não quero que tenha medo. Nem que se arrependa da sua valentia. E a minha andorinha a voar cada vez mais perto, cada vez mais baixo. Olá, sussurro-lhe sem uma única palavra, e já ela voltou a fazer razias ao tecto da sala em velocidades alucinantes.
Ninguém acredita em ti andorinha. Só eu. Vou-te filmar como se fosse um turista chinês: faz pose, voo picado, um dois três!
E se é outra andorinha? Deu-lha a primeira o endereço ou uma razão? Quanto tempo vive uma andorinha? Oito anos, diz a pesquisa noctívaga, verdadeira ou falsa, bendita internet.
Sinto que é a mesma andorinha. Não sei porquê. Nem porque vem. Obrigada, andorinha.