23 de outubro de 2015

O QUE EU ANDO A LER, Henrique Monteiro, hoje, no Expresso Curto



O QUE EU ANDO A LER, Henrique Monteiro, hoje, no Expresso Curto

Talvez não devesse dizer que ando a ler um livro que roubei. Mas roubei-o à minha mulher e por motivos absolutamente ponderosos: primeiro, porque é um objeto lindíssimo; depois, porque é organizado por um amigo meu; terceiro porque é, essencialmente (já explico), do Fernando Pessoa.

Vamos a factos: chegou-me um embrulho com um cartão que me é dirigido. Nele, o editor, amigo e correligionário de blogue Manuel S. Fonseca pedia-me para entregar o livro à minha mulher. Eu, bisbilhoteiro, já por ela avisado que o livro chegaria, abri-o. E que vejo: um livro magnífico com o nome de Fernando Pessoa a ocupar obliquamente toda a capa, numa edição ‘Guerra e Paz’, com pintura de Ana Vidigal, poema de Eugénia de Vasconcellos e organização e apresentação do dito cujo Manuel S. Fonseca. Já era muito. Mas quando um amigo envia um livro cujo título é “Minha Mulher, A Solidão” e cujo destaque é “Conselhos a casadas, malcasadas e algumas solteiras”, solta-se a bisbilhotice numa deriva coscuvilheira, quiçá concupiscente (algo muito tratado no volume) e começa-se a ler. E a ver, porque a pintura de Ana Vidigal lá está. Já li o texto e o poema de Eugénia, a introdução (“Toda a volúpia é mental”) do Manuel, os ‘Conselhos às malcasadas’, de Bernardo Soares (heterónimo de Pessoa) e “A rapariga inglesa, uma loura, tão jovem, tão boa” de Álvaro Campos (outro heterónimo pessoano). O livro é dividido em seis “cadernos concupiscentes de corpo nu”, mas duvido que avance muito antes que a minha mulher o reivindique – com razão, ficando, desde já aqui a minha autocrítica pela locupletação ou uso indevido de um livro que será lançado terça-feira que vem na Casa Fernando Pessoa, por dois Pedros – o Pedro Marta Santos e o Pedro Norton, tudo malta do blogue Escrever é Triste o qual conta, esporadicamente, com a colaboração deste vosso criado.