6 de julho de 2015

E quando?

Fotografia de Maria João cabrita

Então. Fiquei surpreendida. O meu primo tem a minha idade e três, repito, três filhos, os mais velhos já na adolescência - são tão giros... Divorciou-se há quase um ano, separou-se há quase dois e poeira até tudo assentar. Assentou. Nenhuma surpresa nisto, só pena, é difícil um divórcio com os miúdos ainda a crescer. Mas virou-se e disse e se eu tivesse casado com ela, tenho pensado muito nisto, e se eu tivesse casado com ela? Ela, a namorada que tinha quando conheceu a mulher.
A minha vida não tem e se?, nem um e se? Nicles. Zero. Digo sempre, obrigada, meu Deus, obrigada, por estar exactamente onde estou, no lugar certo para chegar onde devo. Porque há coisas de que me arrependo. Claro. Mas o arrependimento é activo e actualiza-se no presente, quero dizer, não seria capaz de as voltar a viver, isto é, não as faria ou permitiria. Simples. Tal qual os cigarros: o dia em que me arrependi de fumar - fiquei despachada no treino, nem podia com um gato pelo rabo -, foi o último dia em que fumei. Simples. Não há e se nunca tivesse fumado? Lixe-se isso, se fumei foi porque na altura não sabia mais, quando soube, fiz melhor. Acabou. Siga.
Mas penso, e creio que toda a gente pensará, outras possibilidades de ser. Se são impossibilidades, dou-lhes cinco minutos. Cinco minutos para ficar triste com o que jamais se será ou terá, chegam. Porque vida é pequenina demais, dura pouco e as lágrimas não são navegáveis. E se? é uma rejeição que mutila quem se é, o que fez e se tem. Não gosto. Prefiro pensar e quando? E quando? tem futuro.