8 de junho de 2014

As minhas insónias são melhores do que o vosso sono - o que é necessário é criar

Pompeu, general, precisava de fazer chegar a Roma o trigo e cereais recolhidos nas províncias. Mas o mar era só outro nome para uma tempestade dos diabos e os homens são carne e ossos, filhos de mães e pais, e pais de filhos. Então, quando afirmou navigare necesse, vivere non est necesse, não lhes pedia que embarcassem, exortava-os a atravessar o mar que é, todos sabem, cumprir: olhar no rosto as mortes todas que temos de viver para chegar ao fim do dia. Foi Plutarco quem contou deste navegar é preciso, viver não é preciso. Mas veio Pessoa e apossou-se do espírito que estava dentro da frase porque o reclamou para si porque era glorioso e bom: 

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. 
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.