10 de abril de 2014

Vê-se a aproximação do fim

AS CARIÁTIDES DOS DIAS
O momento é da eternidade
O tempo pertence à mortalidade
E assim nós em tudo iguais 
ao divino e ao humano abandonos,
penélopes todos a fazer e a desfazer o sentido
pois não é ulisses quem à noite dorme contigo,
nem comigo, mas a manhã chega a cada um de nós,
e o sol,
para iluminados dizermos da hora que fica,
dos fios tecidos, dos mil sentidos, da memória 
- as cariátides dos dias

Nada fica:
o passado é só uma régua para medir a maré 
mais vazia em cada dia
E está certo. Como nos despediríamos
se os gestos e as palavras ainda fossem de amor?