10 de abril de 2014

A minha editora faz anos hoje: Parabéns!


PARABÉNS!
Hoje é o oitavo aniversário da Guerra & Paz Editores. Parabéns! A editora não é minha, mas é a minha editora. Pensa que é por isso que lhe estou a desejar Feliz Aniversário? Pois pensa bem. Mas pouco. Há mais. Conto tudo.
A primeira coisa que a Guerra & Paz me deu foi uma tampa. E foi quando se chamava Três Sinais. Enviei um conjunto de poemas, pouquinhos, para muiiitaaassss editoras. Todas, quase. Duas responderam. A declinar, é certo, mas com bons modos. A minha editora escreveu-me uma carta em papel e tudo: não publicamos poesia. Está bem, pensei, perdoo-te. Hoje. O futuro a Deus pertence, eu sou filha de Deus, lailailai - é a minha amiga, a propriedade transitiva.

A segunda coisa que a Guerra & Paz me deu foram meninas. Na realidade, As Meninas. Foi um presente de aniversário, mas no meu aniversário, oferecido por outra minha amiga, a Maria João, a das photos. Porque ela sabia que eu queria o livro, andava a comê-lo com os olhos, gostava dele mesmo analfabeticamente: só pela capa, tão bonita, e os bonecos. Era a thing of beauty ainda antes de ser lido. Depois de lido e relido continua a ser a joy forever. É um dos meus objectos pessoais.
Mas antes deixo agora a mão das meninas.

Sabia muito bem quem era o Manuel S. Fonseca, ainda que ele não fizesse a menor ideia da existência desta sua autora – que falta de futurologia, parece mentira tanta ingratidão, senhor editor!
Posso afirmar que o conhecia de ginjeira: comecei a ler o Expresso aos dezoito anos. Façam as contas. Depois no Semanário. Na Marie Claire – lembram da Marie Claire, foi a primeira revista em português do género, acho, e bendito entre mulheres e gracinhas femininas, sandálias, vestidos e batons, lá estava o meu senhor editor. Na altura da SIC, confesso, quase perdemos o contacto, mas algumas coisinhas ficaram-me: a ficção portuguesa foi uma delas. Os telefilmes! Amo-te, Teresa e tal. Não estou enganada, pois não? Foi um tempo de esperança em português, claramente pré-acordo-subserviente-ortográfico. 

De repente, um dia, ligo a televisão e zás, lá estava a editora, quero dizer, o Manuel S. Fonseca estava a dizer na televisão que tinha deslargado a televisão para se atirar aos livros. Pensei: a escrita deste homem enganou-me, quem havia de dizer, afinal é um maluco, um para-suicidário. E foi assim que toma lá poemas, não quero cá poemas.

O resto, veio depois. E mais virá, espero.
Parabéns a Você, G&P.
Merci.