27 de setembro de 2013

Meio-Dia

MEIO-DIA
Uma atrás da outra, hoje
vi as ondas mudarem-se
do verão para o outono
e as nuvens descerem
para um extremo branco de chumbo
e soube que era verdade:
não encontrei o mar à minha frente
não fui  rio nem água nem sede
nem as palavras ditas liquesceram
onde o sol lhes bebesse a frescura
Nunca houve caminho de volta em qualquer regresso
em nenhum passo vive o futuro
Há esta solidão a pique, clara como o meio-dia
para iluminar o coração no escuro