3 de junho de 2013

O amor morde

Dracula
AS DENTADINHAS DO AMOR
O vampiro é uma criatura pequena que nunca viu nem leu o Crepúsculo e mora dentro do nosso amor. Todos os rapazes têm um vampiro. A maior parte do tempo é coisa microscópica, dormente e, na verdade, se acorda, é pateta como um chihuahua a ladrar a um touro.
O vampiro vem e, zás, morde e bebe o amor que temos ao nosso amor e em troca deixa a marca dos seus mínimos dentinhos. Que nervos! Irrita mesmo quando é indistinguível de um mosquito: zumbe um ciuminho, não vê que fomos ao cabeleireiro e não quer saber se fizemos, sei lá, mousse chocolate só para ele. Diz assim: hoje não quero sobremesa, como amanhã. Porém quer, e se quer, que provemos quando ele a faz para nós: ó, nunca comi mousse assim, e foi para mim…
É preciso dizer: o vampiro é um tonto, amanhã é muito longe e pode mesmo nunca chegar.
E ele faz o quê? Dorme num caixão enquanto está sol lá fora. Um desperdício do nosso amor tão claro.
Sei muito bem o que nosso amor está neste instante a dizer:
Quem diz é quem tem
um vampiro também,
e mesmo agora ele
acabou de me morder!
Espera que já vais ver...