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JK Rowling, Nicki Minaj, a sério?
Eu se fosse o Harry Potter ia-me já queixar de ter apanhado com um raio nos cabides!
E se fosse uma anaconda, ó Nicki, apresentava queixa ao Pan... |
Os muito puros que me perdoem, mas bom senso é fundamental: não, esta não é uma questão racial; não, esta não é uma questão de género; esta é uma questão de manipulação ao serviço da discriminação positiva e do politicamente correcto.
Toda a gente, aqui e ali, ao longo da vida se portou mal. Perdeu o controlo. Foi impulsivo. Ou mesmo, no pior dos casos, foi-se um filho da puta. Acontece. Não se planeia. Não se deseja. Fica-se aquém. Mas acontece. Ninguém de bom senso se orgulha desses momentos da sua vida. Se possível, oferece-se reparação. Somos falíveis. Mas esforçamo-nos. É assim.
Claro que estou a falar de sua alteza sereníssima, perdão, transtornadíssima, da tenista Serena Williams e do circo que se levantou em torno da palhaçada em campo. (E se, por ventura, estiver a contar as micro-agressões verbais deste texto: filho da puta; sua alteza; palhaçada, sempre adianto, que essa outra ficção do politicamente correcto, também aqui não colhe.)
Quando, de impulsos fora de controlo, Serena parte a raquete, ainda se está no reino do justificável, não é bonito, porém é justificável: é um jogo, vai perder, tem a adrenalina a mil e a energia pede escoamento. Não correu da melhor forma esse escoamento, deu-lhe para mcenroear... olha, azarucho, venha a penalização, e pronto.
Agora, dirigir-se a Carlos Ramos, de dedo em riste, a gritar que trabalhou muito para chegar ali, que é mãe de uma filha para quem é um modelo de irrepreensível comportamento, que ele a penaliza porque ela é mulher, e para rematar, chamar-lhe mentiroso e ladrão, isso, não. Não. Não. E vergonha maior, a Associação de Ténis Feminina fazer disto uma questão de género. Não há género nisto, há comportamento. Um comportamento justamente penalizável dentro do regulamento. Um pedido de desculpas devido.
Pior. De cada vez que uma mulher grita discriminação de género como Pedro gritava lobo sem que lobo houvesse até que lobo houve e ninguém acreditou, presta um deserviço à mulher. Todas e, venha a polícia feminina, todos, portanto, mulheres e essa espécie a quem se atira ao alvo quando se quer ficar bem visto nas colunas de opinião dos jornais, os homens, mais uma vez, todos nós, pessoas, em regra, trabalhamos muito para chegar onde chegamos, o que quer que isso seja, e não nos vitimizamos por isso. Fazemos o melhor que podemos para sermos bons referentes para filhos, sobrinhos, ou o miúdo no passeio por quem não atravessamos o vermelho para peões numa rua deserta não vá ele fazê-lo um dia e vir um daqueles tipos que nem se sabe de onde. Não me passa pela cabeça, como não passou pela cabeça da minha mãe, muito menos da minha avó, eleger o homem como inimigo para resolver as inadequações sociais ou profissionais que são da minha responsabilidade: o modelo opressor/oprimido decalcado do marxismo para o feminismo está caduco. Que feminismo e pseudo anti-racismo são estes, de gente como J.K. Rowling e Nicki Minaj, que querem a censura de um cartoon de Mark Knight, para o Herald Sun, a falsos pretextos?
Querem brincar às vítimas de moinhos de vento? Brinquem. Eu, quando perco a cabeça e parto as minhas raquetes, peço desculpa.