3 de setembro de 2019

O tempo do amor das coisas bárbaras, selvagens

O TEMPO DO AMOR DAS COISAS BÁRBARAS, SELVAGENS

Uma a uma regressam as folhas
antes caídas, dispersas pelo vento
em quatro cantos de outono,
durante a sinfonia de cobre e ouro,
metais de que chuva se apodera,
e corrompe,
para fazer o grande inverno.
Uma a uma regressam
para compôr a árvore e
o esplendor esmeraldino da sua copa.

É o tempo do amor
das coisas bárbaras
quando já não é preciso domá-las
porque se dão,
vento, criaturas misteriosas, mar, gente,
é o tempo da devolução:
o cordeiro, o leão e eu
bebemos no regato a mesma água muito fresca
onde as palavras são peixinhos prateados
e cantam e dançam.

O destino dorme na semente
e só acorda na segunda germinação.