5 de agosto de 2019

No meio do orvalho o amor é total

porque não podemos ser todos estáveis, santos, sábios, engenheiros e suas pontes sólidas sobre a água em fuga. Há quem venha de um mundo que levanta com a mão direita e destrói com a mão esquerda e atira ao vento a ordem do alfabeto primordial. Nem por isso disparo sobre mim num campo de flores - não pinto e os poetas suicidas morreram todos no século vinte. Poetas... gente de olhos muito grandes e pequeninos gestos infantis. Inúteis. E assim mesmo, bichos alquímicos, do escuro, beijam a luz de alfa a ómega porque encontram a alegria nos portais do subsolo quântico das letras. Dão laços que se desfazem como se fossem nós de eternidade. O que é um verso, se não for isto? Meu Deus, como nos fizeste... Crianças e seus brinquedos, vida de faz de conta a repetir o teu fiat de poder aos bonecos despedaçados, à beleza da criação.

Mas devastar bibliotecas como se fossem tu, e tu, o amor todo! Porque amar é andarmos juntos pelo lado de dentro das coisas onde os milagres são a lei que a ciência não explica: observadores amorosos interferimos no objecto sensível do amor que se desdobra em agrados. O resto é a existência. Eu passeio no jardim das tuas namoradas mortas.