6 de agosto de 2019

Contigo

Criaturas. Erva, sal, fera. E nós, caídos e levantados com palavras de fogo onde esplendemos - a poesia. Tanto espanto, aberta ferida, tanta espera. Pode-se morrer em quieto desespero e a boca alumbrada ainda de versos e beijos. E os mistérios do coração em flor, as secretas perfeições muito nuas que o mundo despe só para os nossos olhos... Como falar de Deus se não for na língua da paixão? Dá-me de beber, disse Cristo, junto ao poço. Como falar de amor sem oferecer a simetria da nossa própria sede?