10 - uma mulher de sonho
É incontornável. Homens e mulheres não são iguais. Não são iguais no corpo, não são iguais no psiquismo, não são iguais na mecânica mais ou menos quântica do cérebro. Não são iguais. Os homens contam. As mulheres relacionam.
Um estudo recente pôs ao léu os pensamentos masculino e feminino na escolha de parceiros. Na verdade, poderia ser um estudo de 1979 e realizado por Blake Edwards. Poderia ser 10. Ou em português, 10 - uma mulher de sonho. Explico.
O homem faz uma auto-avaliação, isto é, dá-se uma nota num conjunto de critérios: rosto, corpo, rendimentos, profissão, competências sociais... Soma tudo de zero a dez. Depois das contas feitas, procura uma mulher que, na sua avaliação, tenha uma pontuação igual, ou um, dois, ou no máximo três pontos acima. Não é, por isso, surpreendente ver um homem de muita idade, envelhecido, e de grande sucesso económico, ou poder específico, ao lado de uma mulher muito jovem, elegante e bonita. Espelham-se na auto-avaliação. Para além destes casos extremados de grandes diferenças de idades e grandes correspondências de avaliação, há o pão nosso de cada dia, e são quase todos os outros. À esquerda e à direita, encontramos casais que claramente se espelham e de forma mais simétrica: no mesmo patamar de beleza, ou de paisagem social, ou económica, ou profissional. E isto também fala das hierarquias que os conduzem, o foco que os dirige. Resumido: no que querem da vida. Igualmente fascinante é olhar para os segundos ou terceiros casamentos, numa idade de maturidade em que a auto-avaliação já não é a mesma da primeira viagem no carrossel da selva e, assim, permite os encontros que na primeira volta seriam impossíveis por assimetria. A pontuação, portanto, não é estática, a que se auto-atribui e a que se dá aos outros. Muda a beleza, muda a pontuação. Muda o sucesso, muda a pontuação. Muda o comportamento, muda a pontuação.
As mulheres não dão pontos. Não contam. Mas é igualmente fácil perceber quantos pontos se dá uma mulher: basta olhar para o marido/namorado/híbrido. A escolha da mulher é futurista: a mulher escolhe no presente aquele que lhe parece ser o melhor garante de futuro, qualquer que seja o futuro pretendido na qualidade ou duração.
A parte mais gira do estudo, no entanto, são os grandes erros de avaliação. E pasme-se, quem conta melhor, é quem se engana mais e é mais propenso a cometer grandes erros de avaliação. Porque um homem avalia no presente. Ontem não existe. Amanhã também não. Os homens não contam algo com que as mulheres contam sempre: o potencial. E o melhor dos predictores, o passado. Então, o mais frequente e mais consistente erro do homem é subestimar a mulher que avalia. O mais frequente e mais consistente erro da mulher é sobrestimar o homem que escolhe.
Mal por mal, antes mulher que homem.
