4 de abril de 2018

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club


Todas as vidas têm lugares vazios. É verdade que não temos por hábito fazer lugar à mesa para quem não está. Já não está. Mas não é difícil vê-los. Basta olhar para as cadeiras desocupadas, de uma sala, por exemplo. Quem nos falta? Ou melhor, quem esteve tão presente ao nosso lado que a sua ausência é uma companhia? Pior. É uma companhia melhor que a de gente que a gente nem sabe quem seja.

Sempre tive amigas. Amigas mulheres. Uma de infância e até à idade adulta. Duas de adolescência e até à idade adulta. Morreram. Também tive um Amor. Maiúsculo. Ficava-me bem dizer que correu mal e acabou. Era dramático e tcharam. Mas a verdade é que correu mesmo bem. Momentos maus? Sim, claro - fazem parte, há lá amor sem arestas, ângulos agudos, bicudos, patetas? Do meu Amor pude dizer o que disse do meu Cão. Foi o amor que sempre quis ter. E, toda a gente sabe, tive o melhor Cão do mundo. Bem se vê, também tive sorte.

Isto esgota a amizade ou o amor? Não!

O problema é que esta gente que nos faz feliz, ou fez, e é fora de série e admirável e tal, dá-nos cabo da vida. Não se conseguem substituir. E dava muito jeito que sim. E fosse fácil. Ou pelo menos possível.

Um adulto não pode ir para a rua e dizer como um miúdo queres brincar comigo? E fazer um amigo. Pronto. Já está. E quando nos dizem em linguagem de crescidos queres brincar comigo... não se consegue inventar um passado comum e o futuro leva uma carrada de tempo e dá montes de trabalho a levantar. Do amor nem vale a pena falar, é igual, só que mais.

Se calhar a melhor solução é inventar um Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club, dançante, cantante, jantante, de debate, viajante, com ginásio e passeios de bicicleta à la carte. Um Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club de porta fechada. Para entrar tem de responder à pergunta: os melhores amigos, o melhor amor e o melhor cão, quem tem? Disse eu? Então, I think this is the beginning of a beautiful friendship, vamos celebrar.