8 de agosto de 2016

Houry Gebeshian sabe um segredo

Fotografei a TV. É preciso dar provas a São Tomé,
perdão, a Thomas Bernhard, lá no além...

É domingo e está calor sem vento que nos salve.
De repente, percebo porque Thomas Bernhard, epítome do adulto de consumado desencanto, não conseguiu - não é preciso perguntar não conseguiu o quê? Ele escreveu num dos seus poemas Amanhã criarei/ algo de transitório para a imortalidade. Nada do que é transitório é imortal. Tudo quanto interessa à imortalidade é feito do que dura, do amor, da morte, do medo, da coragem disso tudo no pão nosso de cada dia.
Foi agora mesmo numa brisa fresquíssima.
Estava a ver, vejo sempre, assistia com o meu avô e não sei se ainda não é com ele que estou a assistir ao apuramento para as finais de ginástica nos Olímpicos.  E vem esta miúda, e zás, corrige o verso do Bernhard, e repõe o tempo na eternidade. Amor. Alegria. O que fica. Ninguém sorri nos exercícios de trave. Já vi morder os lábios, sorrir não. A arménia Houry Gebeshian sorriu. Várias vezes. É maravilhoso quando se sorri à vida só da alegria de saber que se está a viver. Difícil também é bom. É desafiador. É pulso e bate forte. E como se isso não bastasse, mal termina o exercício, abraça a trave e dá-lhe um beijo. Há lá melhor verso do que esta acção de graças?

Exhibit number 2, tio Thomas...