29 de fevereiro de 2016

88ª Cerimónia dos Oscars, ou Festa do Avante, do Bloco, ou lá o que foi

Oscars
Pensei que iria assistir à 88ª cerimónia dos Oscars mas, afinal, assisti a um comício. Com umas breves referências a filmes pelo meio, é certo, e entrega, entre palmas, de umas estatuetas desrespeitadoras da gravitas das causas em questão. Na ânsia de ser relevante, porque ser um comediante, um actor ou realizador, ou argumentista, ou cantor do caneco não é relevante, cada interveniente se superou ao outro em politicamente correcto - um desfile e um concurso de superioridade moral e social. Resumido: eis a lista de causas da 88ª Plataforma para Causas lailailai a propósito dos Oscars:
  1. Contra o racismo e a falta de diversidade.
  2. Contra papel social de género.
  3. A favor do jornalismo de investigação.
  4. Contra os abusos sexuais da igreja católica.
  5. Contra a pedofilia.
  6.  A favor do feminismo.
  7. A favor de LBGTQ.
  8. A favor da paridade sexual.
  9. Contra a violência sexual.
  10. A favor dos sobreviventes da violência sexual.
  11. Contra os excessos do liberalismo económico.
  12. Contra tudo quanto promova alterações climáticas.
Mal comparado: se eu estiver esganada de fome, entrar num café, e pedir um pastel de bacalhau e o empregado/assistente de hotelaria me responder como abaixo, devo, olhe, comer e calar.
  1. Sou contra os fritos, aumentam o mau colesterol.
  2. Contra os transgénicos de que este óleo de fritar é feito, podem causar danos neurológicos.
  3. Sou contra o excesso de sal, faz subir a tensão arterial, provoca retenção de líquidos e saberá Deus o que mais...
  4. Sou contra o excesso de amido na alimentação, até porque engorda.
  5. Sou a favor do consumo de ómega 3 e o bacalhau tem-no à fartura.
  6. Sou contra a pesca do bacalhau porque a espécie se reduziu significativamente em número.
  7. Sou contra a má utilização dos recursos humanos porque estou no segundo ano de engenharia e estou ao balcão.
  8. Aqui tem o seu pastel de bacalhau.
Seja como for, proponho que nomeiem para um Oscar, já no próximo ano, um rapaz negro, transgénero, vegan, anão, adoptado por um casal lésbico asiático, sobrevivente de, sei lá, qualquer coisa que a Lady Gaga possa indignadamente gritar, perdão, interpretar ao piano.