22 de dezembro de 2015

Uma ervilha debaixo de sete colchões?

UMA ERVILHA DEBAIXO DE SETE COLCHÕES?
Não tem sido fácil. Lisboa imobiliária enlouqueceu. Não há casas para arrendar, há short rental, há rendimentos garantidos de 4% ao ano. E nem sei como, pois informaram-me da ilegalidade da coisa, até há a possibilidade de comprar um apartamento que não se pode mobilar, já vem “equipado”, nem habitar por mais do que quinze dias ao ano.
E comprar tornou-se uma aventura: vale tudo para quem vende desde que o preço suba acima dos quinhentos mil euros, a fazer olhinhos ao Golden Visa e, ou, à lavagem de dinheiro - explicaram-me, assim, sem mais, numa linguagem, como direi, cínica.
Percebo tanto de negócios como de fusão a frio: não são o meu forte. Isso não quer dizer que a aritmética dos quatro mil euros por metro quadrado de um buraco qualquer passe entre os pingos do sol deste Inverno primaveril. Também não quer dizer que trocar população fixada num lugar, ou que pretende fixar-se, por turismo de fraco investimento, grande ruído e suprema bebedeira me pareça uma aposta inteligente.
Não quero palácios nem buracos. As remodelações ficam pela hora da morte e eu não queria morrer nunca. Uma casa chega. Não a encontro. E não é porque quando me deito o faça em cima de sete colchões e sinta a ervilha debaixo deles. Mas trabalho em casa e tenho o prazer da casa.
Gosto de ser dona do meu nariz. Da minha vida. Da minha casa. Mas por estes preços, aqui não consigo ser dona de nada. Talvez me mude para Brooklyn…