25 de agosto de 2015

Que carro és tu?

Olhó futuro! Este cão deve ser um amigo do meu Cão... Lindo paddle doggy!

Por muito que o feminismo mais conservador se arrepie, há coisas que uma mulher nunca por nunca deveria ter de fazer por obrigação. A saber: ir a reuniões de condomínio; preencher impressos; escolher carros e outros gadgets de mistério. Detesto. Pior. Odeio. Dá-me vontade de imigrar da minha vida e ir colonizar o planeta Marte. Pior. Se tivesse vocação para a estética, perdão, o lifestyle hippie-anarco-rastafari enfiava-me numa eco-comunidade e desaparecia da civilização.
E isto por quê? Por causa de um Defender. Explico tudo.
Quando não sei o que hei-de fazer à vida tecnológica, pego no telemóvel e digo: Rita! tenho quinhentos mil headphones à minha frente, qual é que eu escolho? Não sei se repararam: vou à loja a solo e convicta das minhas competências: sei encontrar as secções onde está aquilo que procuro. A seguir, entra, não Dom Duarte, mas, ainda assim o leal conselheiro. O que quer são uns Sennheiser. E isso escreve-se como, qual é o logo? Chame lá o funcionário. Vem o funcionário. Se não se importasse, falava com a minha amiga que ela sabe o que eu quero.
Confesso, alguém saber o que nós queremos, é uma das sete maravilhas do mundo. Quem diz headphones diz o resto das coisas electrónicas, ou lá o que é, como uma caixa que se liga para que o pc não desligue se o mundo ficar às escuras e outras criaturas afins, discos externos e saberá Deus. Enfim.
Pego no telefone – há uns meses. Ó Rita, vou comprar um Defender. Em Lisboa não posso andar bicicleta a não ser a passeio, preciso de um carro e o meu está velhíssimo e não tenho força para o volante. Não é volante, Eugénia, é direcção. E você não quer um Defender. Não quero? Ó diabo… Então o que é que eu quero?
Isto é uma questão de fundo. Tenho um nervoso miudinho de rotundas só comparável aos sustos que a Carris me prega. Na verdade, mal comparado, a conduzir, sou como os cães pequeninos a ladrar aos grandes, ou mesmo como o meu lindo Cão que se atira aos cavalos, grrr… Quando não me deixam mudar de faixa nas famosas rotundas, eu que não digo palavrões, só os escrevo, rosno logo, não vês o pisca, ó meu grande cabrão?! Só gosto de conduzir a direito, na auto-estrada. Gosto mesmo muito. Era capaz de atravessar os Estados Unidos a conduzir. Já estacionar, peço com frequência que me estacionem o carro entre dois. Acho que o carro ideal para mim seria um Hummer. Mas é feio. Gosto de pick ups antigas à redneck, à sulista. Mas não vivo em americano – que pena. Portanto, pensei, se fosse um carro, que carro seria? Olha, sou um Defender, um clássico-aventura-trabalhador-seguro que dura uma vida sem passar de moda. E vem a Rita e diz: você não quer um Defender. Ó.
Então e se for um Wrangler?