20 de junho de 2015

Para maiores de 18 anos

Ó minha serpente... falta cor nesta maçã!

X - O X DA QUESTÃO

O telefone é um meio de comunicação à distância - aprendi isto na primária, que é só outra maneira de dizer, no tempo tecnológico dos Flintstones. Agora, na era pós-pc, o smartphone, telemóvel esperto, inteligente, giro e bem disposto logo no nome próprio, é muito mais do que um meio de comunicação. O seu poderoso sistema operativo faz dele mais uma plataforma de trabalho e recreio ao nosso dispôr, um assistente pessoal, um modo de expressão e de ligação – e ligação não é uma chamada, é vínculo, é laço ou nó e na laçada, mais ou menos apertada, quem está, está lá, allô, somos nós.

E a graça de sermos gente começa logo aqui: tão independentes, no trânsito da família alargada para a nuclear, e desta para a monoparental, ou mesmo para a experiência individual de sermos, coisa pequena, assim atomizada, zás!, com isso não queremos nada, cem por cento online, ligado tu e eu ligada.

Ligados a quê, ligados a quem? Ao mundo e um ao outro, meu bem. Vamos conversar para maiores de dezoito anos e bolinha vermelha no canto superior direito.

Se no tempo dos Flintstones era fácil definir um telefone, hoje não é assim tão fácil definir um smartphone. E muito menos um conceito em pão-pão, queijo-queijo, de sext, sexting. Da academia aos meios informais, olhe, varia porque evolui. Todavia podemos afirmar sem mentir que é a troca de conteúdos sexuais explícitos, mensagens, fotografias, chamadas de voz, vídeo-chamadas, vídeos. E os dados sobre esta prática, sexting, predominantemente norte-americanos por criminalização como pornografia infantil das fotografias tidas ou enviadas e reenviadas de menores, informam-nos muito sobre a população adolescente, mas menos sobre a população adulta. A Alemanha e a Espanha também contribuem com alguma informação, mas as amostragens não são representativas ainda que este seja um comportamento social global.

Contudo, o que nos adolescentes é um comportamento de risco, entre adultos que são um par romântico, pasme-se, é o reforço de um vínculo, um apertozinho na tal laçada. Estima-se que um em cada cinco baby-boomers não queira andar solitário entre a gente mas sim preso por vontade. Portanto, em nada diferente da ferida que dói e não se sente do jovem adulto de vinte, vinte seis anos. Este modo, digamos, camoniano de arder, perde a cada dia o seu estigma de obscenidade, o carácter me liga, vai. Passou para o domínio da poética, quero dizer, é música de cama. Porque entre adultos a vinculação amorosa passa pela cama, e a cama não é sedentária, é nómada e pode estar no quarto do smartphone.

Verifica-se nos casais que praticam sexting, uma mensagem aqui, uma chamada ali, e mais uma fotografia, e outra chamada porque no romance a voz é fundamental, a consolidação da relação romântica, pois há assim uma espécie de nunca contentar-se de contente, um estar e não estar em ai banho-maria, tão bom banho-manel, cada um por si no foco profissional ou social, e imersos um no outro na construção de uma tensão sexual óptima, os preliminares na ponta dos dedos via sms, e com aumento de produtividade laboral.

Resumido: porque o prazer de ser desejado é saber-se amado, seja poeta, diga lindas indecências ao ouvido telefónico do seu amor.