13 de abril de 2015

O Valor da Liberdade


O Valor da Liberdade – diálogos sobre as possibilidades do humano -, da autoria de Joana Pontes e José Tavares, e realização também de Joana Pontes, é uma série de dez entrevistas a dez pensadores para uma reflexão sobre a liberdade e o desenvolvimento, usando estes dois conceitos como traços constantes para interpelar os entrevistados e os espectadores.
Comecei a ver O Valor da Liberdade - documentário ou entrevista - pouco depois de ter escrito este texto, numa noite de zapping. E logo no quarto programa, deparo-me com John Gray. Assisto, surpreendida, e acabo comentá-lo e a recomendá-lo. Tinha-me escapado e, no entanto, a Sic-n publicita-o. Creio que terá sido uma questão de preconceito: ao ver o cravo na apresentação, terei pensado que seria relativo ao 25 de Abril - não assisti àquele Jornal da Meia-Noite.
Na verdade, não é. Está na senda de uma outra série televisiva de entrevistas Of Beauty and Consolation, se bem que mais estreito na liberdade e mais cortado no desenvolvimento. O que quero dizer? Para além da estrutura ser menos fluída no que permite aos entrevistados, e menos intimista no que oferece ao espectador quando comparado com Of Beauty and Consolation, este é um trabalho que merecia outra edição. Uma edição mais larga no tempo de duração e, no caso de entrevista a John Gray, onde o pensamento fosse menos interrompido, cortado, colado – quando se percebe que foi, é porque foi. E é pena. Mas.
Em O Valor da Liberdade, são-nos oferecidas perspectivas de pensamento para além das nossas, podemos, portanto, actualizar o que somos, ou reforçar o que não somos, acrescentar ou não, mas o saldo é sempre positivo. Antes de iniciarmos um debate de ideias e declararmos as nossas intenções, o primeiro diálogo é interno, não é?, e a primeira decisão cai sobre o nosso dia a dia... E vivemos um tempo que também ele nos interpela, da literatura à política, e em questões fundamentais como esta: que comunidade, país, que Europa queremos ou podemos ser?
Porém, o que gostaria de dizer sobre esta série de programas, e só agora porque só agora os vi em número suficiente, é isto: a excelência inspira-nos e faz-nos aspirar à excelência possível a cada um de nós. Of Beauty and Consolation, penso, terá sido um forte referente, uma inspiração para O Valor da Liberdade que é uma forma de fazer televisão que redime a ausência de programas de informação e de autor onde tenhamos o gosto de nos sentar na assistência. Para além desta nota, só uma coisinha mais, a informação de qualidade permite-nos a sensatez. E o bom-senso está terrivelmente sub-valorizado e subalternizado pela demagogia e um rei vai nu de ego-originalidades. O Valor da Liberdade é, nesse sentido, uma raridade que não temo louvar.