1 de abril de 2015

E tu?

Oh me! Oh life!
Walt Whitman
UMA CANDEIA COM NOME DE MULHER  E TU, LUZ
Aqui estamos, tão sós que temos de confiar
nos nossos próprios pés e assentar a alma
no pulso biorrítmico da natureza,
botão que trazemos off para incomunicar
o on elementar:
se a chuva cai on, a nossa solidão é a invencível
água, o avanço inexorável dessa parede de força
a escorrer rios cavados. E é as raízes desprendidas 
dos pinheiros levantados no leito de líquido assombro,
a nossa solidão em plena luz e
nem os insectos se escondem on.
Tu sabias disto, destes secretos vasos comunicantes,
regência das marés, plano, migrações,
do botão on/off da poesia, quando rua a fora,
industrial e alto, relevante num só verso
capaz de descarrilar a incredulidade dos olhos 
por mero exercício da verdade, 
ias sem fé, mas cheio de Graça,
mais grávido do que Maria,
mais desolado do que a sua desolação de mãe virgem,
com a alma assente na solidão umbilical onde a natureza começa
e, células tronco, nos indiferenciamos.