31 de março de 2015

Um dia o sol da tarde

O SOL DA TARDE
Coisas barrocas acontecem,
excessivas, 
e o lume alto da decadência,
arranha o escuro e incendeia:
sinapses, o fim das estrelas:
o insuportável coração explode.
A folha branca,
o silêncio branco,
quanto tempo para a brancura toda?
Há o sol da tarde,
a cinematografia perfeita,
e a coreografia do regresso,
sistema circulatório, cheio de vida à espera
do lado de lá da porta de casa,
há o sol da tarde do lado de lá, 
uma realidade paralela
ao desamparo dos mundos.
E antes ainda a noite tão preta
onde enterrá-los,
assim, debaixo das pálpebras,
depois do cansaço vivo e então
tudo branco, e um dia o sol da tarde.