5 de outubro de 2014

Uma questão de mamas e beleza


MAMAS E SOUTIEN
Já contei que gosto de mulheres - não, não é dessa maneira. E de maminhas também gosto. Pequeninas, grandes ou à medida da mão certa. Daquelas a apontar para o céu juvenil e das que cheias cedem à gravidade gosto também. Redondinhas ou em bico como em chinês.
No entanto, por ser mulher, não as vejo com aquele olhar dos homens. Que olhar? Aquele olhar que têm e nos faz pensar, pobres diabos, foram desmamados cedo demais, à boca da fome – ou pensava que era só a Shakira que tinha una fijación oral?
Hoje vi uma miúda. Não era gira nem estava bem cuidada nem tinha roupas que a favorecessem minimamente. Mas tinha aquela coisa tenra e terrenosa dos vinte anos quase trinta que cuidado algum supera: a natureza nas veias. Ela estava distraída ao telemóvel então pude vê-la com tempo.
Tinha um grandessíssimo par de boas mamas. Ela. Eu tenho um defeito terrível, faço julgamentos com e sem justiça. E não gosto de os fazer, nem a uns nem a outros. Sei lá eu por onde entrará a ruína de um homem, se pelo seu imenso sucesso se pelo seu enorme fracasso… e até esse dia chegar, o da sabedoria, julgo, e a seguir tomo noto do julgamento para o desfazer. Educo-me.
Aquelas mamas estavam presas dentro do soutien errado. Não é preciso trabalhar numa secção de roupa interior para perceber que as mulheres não sabem que raio de soutien usar.
Debaixo da t-shirt branca de mau algodão e muito uso, escapavam de aflição e falta de ar uns refegos valentes acima da cintura. E o cós e o fecho de colchetes subiam pelas costas. Número pequeno demais. E as próprias mamas quase no pescoço, que sufoco, em meia copa c onde uma copa d inteira deixaria o corpo feliz.
Depois arrependi-me logo da avaliação. Há qualquer coisa bela na carne que foge à roupa, no vinco marcado. Bela como a cabeleira de Maria Madalena de procissão que ela tinha, porém viva, inteira, forte: um véu de pudor na nudez.