PLANO A
- sobre o salmo 90 de Moisés -
Na vigília de uma só das minhas noites
mil anos passam e por isso sei,
Deus de Moisés, que o homem amado
não é barro nem será pó,
é matéria da Tua matéria:
para mim foi ontem,
para ele, carne do Teu espírito, mil anos
numa mínima volta do relógio.
E também eu Te pedi, Deus de Moisés,
que me ensinasses a contar o tempo
na Tua língua, que é de sempre e para sempre,
para abrir as portas à sabedoria e dar o mesmo
descanso ao coração: a erva crescida de manhã,
de tarde seca, depois se corta.
Este dia e as horas deste dia são
um número a menos dos que me cabem contar:
fiz um poema, estudei versos numa língua,
e já ninguém a lê, para escrever, para quê?, um livro inteiro
em folhas de pó. Ninguém.
Na vigília de uma só das minhas noites
mil anos passam e por isso sei,
Deus de Moisés, que o homem amado
não é barro nem será pó,
é matéria da Tua matéria:
para mim foi ontem,
para ele, carne do Teu espírito, mil anos
numa mínima volta do relógio.
E também eu Te pedi, Deus de Moisés,
que me ensinasses a contar o tempo
na Tua língua, que é de sempre e para sempre,
para abrir as portas à sabedoria e dar o mesmo
descanso ao coração: a erva crescida de manhã,
de tarde seca, depois se corta.
Este dia e as horas deste dia são
um número a menos dos que me cabem contar:
fiz um poema, estudei versos numa língua,
e já ninguém a lê, para escrever, para quê?, um livro inteiro
em folhas de pó. Ninguém.
Não aprendi nada. Não tenho um plano b.
Toma, entrego o meu segredo à Tua Luz:
é o plano A.
O sol declina
e o esplendor não veio a derramar doçura.
Este dia e as horas deste dia são
um número a menos dos que me cabem contar.
Toma, entrego o meu segredo à Tua Luz:
é o plano A.
O sol declina
e o esplendor não veio a derramar doçura.
Este dia e as horas deste dia são
um número a menos dos que me cabem contar.