3 de maio de 2014

As minhas insónias são melhores do que o vosso sono - As portas da noite

Le Rendez-vous é um ballet concebido no fim da Segunda Grande Guerra. Duas vezes rendez-vous porque resultou de um encontro: nas traseiras da cozinha do café do pai de Roland Petit, coreógrafo então com vinte um anos, encontraram-se, para além deste, Jacques Prèvert, poeta, Brassai cenógrafo e fotógrafo, e Joseph Kosma, compositor, anteriormente aluno de Bartók. Até Picasso entrou ao barulho no meio do entusiasmo para desenhar a negro, perdão, emprestar a negro o negro pano de fundo.

O pas de deux veio depois a ser conhecido e reconhecido em mil versões de Les Feuilles Mortes e em mais mil e uma de Autumn Leaves.



Este encontro, ao contrário do outro, trata de um impossível engano. É noite numa Paris que já deixou de existir, a que Brassai criou. Lá dentro dançava-se. Ele, le jeune homme, é o escolhido pela morte - pelo destino, talvez. Mas é jovem, unbelievaly young como no poema de Bukowsky fora ele escrito no presente. Não pode morrer. Pensa que ilude a morte e mente ao destino: ama  la plus belle fillle du monde. E consegue um encontro com la plus belle fillle du monde. É sempre com la plus belle. Tudo se passa na rua. Cá fora. Com a tal inacreditável juventude Bukowsky. Tudo do coração é juventude pois é músculo desconhecido do tempo. Mas ela é o destino e mata-o. Pela simples razão de que a juventude tem de morrer, ou sonho - ou o sonhador. Como na vida. Não sei porque chamam expressionismo ao realismo.