Então, é isto. Continua a minha estação das insónias.
Escrevo esta folha de pixels nesta frequência alfabética: is there anybody out
there? O funcionário da bomba de gasolina fechado na gaiola da sua loja de
conveniência talvez sintonize este canal - boa noite, se só agora chegou, estamos
a ouvir I Ain´t Movin`, you can push me
all you dare, bem-vindo às Orelhas de Gato do Cabeça de Cão.
Se fosse faroleiro poderia esquecer os navios no sono e
acordado dizer, estou a vigiar o mar, suspeito daquela onda que ainda não vejo.
Mas mentiria. Não espero apocalipses de pequena ou grande dimensão, geo-climáticos
ou de natureza insubstanciada. Vou fazer uma pausa a ver se percebo.
Não percebi. Confirmo: nada me impede de dormir a não ser a
insónia. Se o mundo, ou o meu mundo desabar apanha-me de surpresa, estou
tranquila.
Aqui, nas suas Orelhas de Gato, continuamos com Micah P. Hinson e o seu mais recente
trabalho homónimo - somos todos Nothing. Dorme, Lisboa, enquanto ele me
explica, neste exacto instante, que Jesus já não precisa dele, ou será de mim, e
o amor já não precisa dele, ou de mim?, porém os livros continuam a dizer que
Deus é bom e será bom entre as mortes dos sem abrigo. Não sei se ele, o Micah,
dorme bem como a cidade, seja como for mudou de música, chama-me amor, pede que
o espere, diz que está a voltar para casa. Está bem. Não vou sair a esta hora.