27 de janeiro de 2014

Mais Luz, disse Goethe

MAIS LUZ
Coisas acontecem.
A Alegria flui. Constante. Circulatória.
Os poemas
escrevem-se e os pássaros.
Há uma ordem nas letras,
nas rotas migratórias,
na suspensão das estrelas,
no movimento dos planetas.
O pássaro não pergunta
por onde vou. Voa:
vai, volta, flui, constante.
Pássaro quer dizer Alegria.
Depois nada acontece.
Cai uma seda fina
do céu e cobre a alma.
Não é tristeza: é menos luz.
O sol brilha o mesmo brilho
mas não, caiu a seda. O espaço
é negro e frio e silencioso.
Toda a luz é devorada
pela escuridão porque
espaço quer dizer vazio.
A união separou-se,
abriu espaço. E a porta.
Espaço quer dizer seda.
As mãos afastam a seda
e ela fica. De onde vem?
De onde vem a sombra?
As aranhas tecem veios
luminosos infinitos.
Do seu próprio corpo
os tecem e isso é 
a noite e o dia da criação.
De onde vem o escuro?
Mais luz, terá dito Goethe
e não terá dito mais nada.
Para aprendermos?,
a escuridão não vem da morte, 
não há morte, é a ilusão do tempo 
quem nos mata. Mas e esta sombra,
de onde vem?