5 de novembro de 2013

A Fada Malvada no Reino da Estupidez

A lite­ra­tura não pode ser ensi­nada. Ensi­nar seja o que for é apre­sen­tar um ins­tru­men­tal ade­quado e expli­car a maneira de uma pes­soa tirar pro­veito dele. Daí resulta que se ensina a escre­ver estu­dos sobre lite­ra­tura, e estu­dos sobre os estu­dos de lite­ra­tura, inde­fi­ni­da­mente; ou ainda se ensina a ensi­nar literatura.
 Jorge de Sena in O REINO DA ESTUPIDEZ
O REINO DA ESTUPIDEZ
- DESTA VEZ SEM RIMAS BEBÉS NEM i, ii e iii -
iv
BEIJA O AR E MAIS NADA
auto-retrato

A arte é filha da consciência da beleza
e da certeza da morte
É inútil como eu:
a poesia não serve para nada
nem a literatura nem o funcional ensaio -
espelho apenas do mundo útil
Mesmo o amor fonte de tudo
não serve para nada senão para amar
e fazer poesia literatura ensaio
é o círculo fechado da inutilidade de sentido
em movimento perpétuo: beija o ar e mais nada
Tenho um infinito depósito de prendas inúteis
dons de nascença
reforçados por uma auto-didáctica pré-pós moderna
inútil
Amo sou bela inútil vejo a lindeza tamanha e sei que morro:
farei uma inevitável obra-prima

Beija o ar e mais nada, de José Régio, que beija o ar, e mais nada, e lindeza tamanha in Fado Português