A literatura não pode ser ensinada. Ensinar seja o que for é apresentar um instrumental adequado e explicar a maneira de uma pessoa tirar proveito dele. Daí resulta que se ensina a escrever estudos sobre literatura, e estudos sobre os estudos de literatura, indefinidamente; ou ainda se ensina a ensinar literatura.
Jorge de Sena in O REINO DA ESTUPIDEZ
O REINO DA ESTUPIDEZ
- DESTA VEZ SEM RIMAS BEBÉS NEM i, ii e iii -
iv
BEIJA O AR E MAIS NADA
auto-retrato
A arte é filha da consciência da beleza
e da certeza da morte
É inútil como eu:
a poesia não serve para nada
nem a literatura nem o funcional ensaio -
espelho apenas do mundo útil
Mesmo o amor fonte de tudo
não serve para nada senão para amar
e fazer poesia literatura ensaio
é o círculo fechado da inutilidade de sentido
em movimento perpétuo: beija o ar e mais nada
Tenho um infinito depósito de prendas inúteis
dons de nascença
reforçados por uma auto-didáctica pré-pós moderna
inútil
Amo sou bela inútil vejo a lindeza tamanha e sei que morro:
farei uma inevitável obra-prima
- DESTA VEZ SEM RIMAS BEBÉS NEM i, ii e iii -
iv
BEIJA O AR E MAIS NADA
auto-retrato
A arte é filha da consciência da beleza
e da certeza da morte
É inútil como eu:
a poesia não serve para nada
nem a literatura nem o funcional ensaio -
espelho apenas do mundo útil
Mesmo o amor fonte de tudo
não serve para nada senão para amar
e fazer poesia literatura ensaio
é o círculo fechado da inutilidade de sentido
em movimento perpétuo: beija o ar e mais nada
Tenho um infinito depósito de prendas inúteis
dons de nascença
reforçados por uma auto-didáctica pré-pós moderna
inútil
Amo sou bela inútil vejo a lindeza tamanha e sei que morro:
farei uma inevitável obra-prima
Beija o ar e mais nada, de José Régio, que beija o ar, e mais nada, e lindeza tamanha in Fado Português