2 de setembro de 2013

A Tempestade

A TEMPESTADE
Tenho andado a estudar a espessura das noites
a largura dos dias, a duração do tempo, a biologia do céu:
há uma via láctea inteira no mais escuro dos corpos
milhões de células brilham para iluminar o nada
onde a matéria se suspende se a espreitarmos
amorosamente perto para logo descobrimos:
o longe é mentira
Porque a vida é fisicamente interseccionista
- um poema de Álvaro de Campos tem mais realidade do que nossa separação
Não colecciono estes pedaços de informação
construo um barco que navegue a falsa distância
e me leve de volta a casa onde me esperas
onde sempre fui, de onde nunca saí
A chuva que oblíqua me molha
evapora-se do manto de Próspero
e do suspiro que oscila na expiração de Miranda
inspiração de Ferdinando