16 de junho de 2013

Menina Amor

Your life is your life
The Laughing Heart, Charles  Bukowski
Há poemas aos quais é preciso regressar uma, duas, três, dez, mil vezes e tantas quantas forem necessárias até que o corpo os saiba cardiacamente, compassados, bem respirados. Porque são poesia. E são sarça ardente. Revelações.
As mulheres não são como os homens. Não se partem da mesma maneira. Com ou sem ironia, são muito como as bonecas, são desmembráveis. E pensam que foi o amor quem as desconstruiu assim, e agora como é que volto ao lugar, como é que me colo. Há homens que têm natureza predatória - mulheres também. Hoje, neste tempo, não se pode dizer que é coisa de gente sem compaixão, tem de dizer-se, sem empatia e outras higienes para dar novo nome aos venenos. E convém fazê-lo sem advérbios de modo e sem recorrer à exclamação. Se o discurso se quer credível tem de ser átono. Porém a dor é adverbial e exclamativa e ouve-se - e o prazer.
Não falo de desgostos de amor. Falo de perigosidade. De destruição. Também isto acontece: crimes sem corpo de delito.
Os cordeiros oferecem-se, e não sabem, para ser sacrificados. Pensam que é amor. Que é isso o sacrifício do amor. A vida. E não é isso o sacrifício na sua dignidade, na sua honra: um leão pode dar a vida por um cordeiro, não pode pedir a um cordeiro que dê a vida por ele. Não é isso o amor. Uma vítima não sabe amar. É ignorante da sua própria e íntima verdade.