31 de outubro de 2012

Porque hoje é o último dia de Outubro

EM CADA OUTUBRO ABRE-SE A MESMA ROMÃ
O tempo não passa
em cada outubro abre-se a mesma romã
estás enganado, não é fruto de bagas
de uma ontem manhã
o tempo não passa, é a mesma romã
A minha amiga queixa-se de mim
à outra amiga minha que ouve e diz sim
é mais difícil falar-lhe do que ao obama
e vê-la é impossível já que nem na televisão
Os meus dias estão todos tomados
em vídeo conferências com o além
também eu numa difícil via de assim comunicação
mais desde a morte de deus, nenhuns mensageiros
os anjos caíram ou estão no desemprego
Passei a tarde a repetir: larkin, macaco de hardy
não te consigo ver, tu consegues ouvir-me? olha
estás enganado
o tempo não passa
em cada outubro abre-se a mesma romã
estás enganado, não é fruto de bagas
de uma ontem manhã
o tempo não passa, é a mesma romã
Os miúdos, dois, apaixonados, tu perguntas-te
se ele a fode
se ela toma a pílula, se usa o diafragma
se sabem que vivem no paraíso
os velhos, tu, sabem, eles vivem o paraíso
deslizam para a felicidade e para o para sempre
os miúdos, dois apaixonados, pássaros, tu perguntas-te
se foste, há quarenta anos, o futuro de alguém
a deslizar para a felicidade
mas o teu para sempre tinha, ainda tem, idade
Ai larkin, macaco sentado no comboio de hardy
não ouves nada do que te aceno da plataforma da estação:
o tempo não passa
em cada outubro abre-se a mesma romã
estás enganado, não é fruto de bagas
de uma ontem manhã
o tempo não passa, é a mesma romã



Faintheart in a Railway Train, de Hardy.