2 de agosto de 2012

Deslargue já o raio do ecrã!

É fácil saber: tem os olhos feitos em pixels? As pontinhas dos dedos começaram a ficar quadradas como as teclas? E as costas, ai-ai? Deslargue já! o raio do ecrã e abra os ouvidos:

Yoga não é uma religião, nem um segredo nem uma ginástica para contorcionistas. É uma prática. Praticar é fazer. Fazer o quê? 

1. Criar espaço.
2. Ligar.

Parece uma contradição. Não é - there are two sides to every story e para esta também. Faça. Como?

1.  Fazendo - isso é a prática.
2.  Posturas, ou asanas - criando, pouco a pouco, em cada dia, espaço.
3. Respirando - inspirando e expirando, isto é, ligando o movimento do corpo com pensamento, intencionalmente.
4.  Olhando. Onde está o olhar está a atenção. Onde está a atenção, mais cedo que tarde estará a acção.

Agora comprove o que lhe digo.

1. Levante o rabo da cadeira e vá até à janela.
2. Fique em pé, os dois pés bem assentes no chão, numa posição estável e confortável, nada de rigidez de vassoura. Descontraído: ombros baixos, ligeiramente para trás para abrir o peito, pescoço direito, cabeça levantada, queixo só um quase nadinha inclinado para baixo, e sorria um sorriso secreto - um daqueles: parece que está a sorrir, estará? Se lhe parecer complicado, lembre-se de uma coisa feliz que não tenha contado a ninguém e seja só sua.
3. Procure com o olhar o ponto mais distante no horizonte - não faz mal se for a varanda da vizinha da frente. Sequer fará mal se não tiver janela - feche os lindos olhinhos e visualize o sol no meio do céu.
4. Respire como os bebés: quando inspirar deixe que primeiro se encha o abdómen, depois o peito  até às omoplatas. E quando expirar sinta o ar passar na garganta e note que sai morninho nas narinas - quando entrou era mais fresquinho, pois era? Três ou quatro respirações assim, mais profundas do que o habitual todavia sem exageros de mergulhador.

Mas o que é que está a fazer aí plasmado, de pé, à janela?! Vá já trabalhar que a vida não é mandrice...