30 de julho de 2012

xv - Ces petits riens

ii - C´est quoi la vie? Não sei. Penso que talvez seja tempo. Tempo medido e tempo sem medida, fuga para a eternidade: coisas da paixão que estouram relógios e ponteiros: um poema, linha a linha, de Herberto Helder, o beijo bem beijado na boca que mais se quer, o exercício perfeito, o sol a entrar mesmo pelos olhos fechados, a bicicleta a deslizar sozinha, tudo em cada vez que já fomos pela mão do que, de quem, nos levou, e é o próprio ar que nos respira, não sabemos nem queremos cá saber de nós. E o outro tempo, o medido, o tempo dos outros, nosso também: estamos, sabemos que estamos no tempo, fazemos, o que lhes damos, ou nos damos para lhes darmos quando chegar o tempo, tempo em que deliberadamente existimos, formigas felizes da ordem no formigueiro. Não sei. Talvez a vida seja só o que mais amamos e queremos que continue, depois de nós. Poesia. Sol. Mar. Riso. Dança. Família mais que amada. Bach e Blues. Tu.