9 de julho de 2012

Porque hoje é segunda feira


DA MECÂNICA ANTI MILAGRES E OUTRAS PEÇAS MÍNIMAS DE RELOJOARIA ÍNTIMA
Éramos côncavos, o tempo durava, a permanência durava, as palavras eram côncavas, acolhíamos mesmo o medo e feitos para a duração podíamos dormir: os corações, incansáveis bússolas acordadas, patas de touro, pulsantes, troavam na alegria das estrelas, ervas celestes.

As palavras côncavas da manhã são convexas à tarde, sacodem-nos, caímos, caímos, nem uma cauda de estrela, um caule, resto de erva, e que inconveniência, a nemésis, visita que não sabe sair a horas: existimos e recordamos a geografia das origens, explosão de vida, pecado capital no mundo de descartáveis, caídas carcaças rotas, as antes bestas da alegria.

Merecemos os exílios onde nos desterrem e a pedagogia do pêndulo, tempo convexo que havemos de aprender ou morrer.