4 de julho de 2012

Dois poemas e um texto para Paula Rego - o outro poema

POEMA DO ATRAIÇOAMENTO
quando a tua boca se abriu era de rosas
por isso cantava feliz:
se eu cair ao mar quem me salvará
e do lado de lá no outro extremo do fio
o teu riso cortava a resposta:
eu salvar-te-ei

Na tela de Paula Rego
estava sentada no passeio 
os pés na estrada vazia sem movimento
enquanto atrás de mim num dos quintais
tu perverso guardador de patos
de avental sujo de sangue
atiravas às aves por alimento
o meu corpo minuciosa minimamente
desmembrado



se eu cair ao mar quem me salvará, faz parte do refrão da canção A SOMBRA, de Pedro Ayres Magalhães, para Madredeus