22 de junho de 2012

vii - Ces petits riens

i - C´est quoi la vie? De logo muito cedo, pensamos: quero isto e aquilo da vida, sem nunca perguntarmos o que quer a vida de nós. A vida. Não os nossos pais, os nossos pares, o nosso amor, a igreja, o país, o eco do pensamento da civilização ainda nos ouvidos - estas camadas sobre camadas de resíduos bem depositados, mesmo se amantes e amados, não somos nós: fazem parte de nós, tão somente. Como podemos, então, dizer: isto e aquilo quero de mim, para mim?  MIM: eu tão grande, educado de berço para crescer, crescer, crescer, e sem jamais ultrapassar alturas liliputianas. Mas podemos olhar o anjo nos olhos e não cegar quando dizemos: faça-se em mim segundo a tua palavra. Qualquer que a palavra seja: Cristo ou camionista, ilustrador, pai. Como outra voz, igualmente mariana, porém masculina, da mesma matéria da harmonia, todavia de outra luz, mais ao norte, argêntea, disse ali, ao fim dos pássaros da manhã, tão perfeitamente dito que a própria voz se fez pássaro, e voou: Fantastic to feel how my poem grows/ while I myself shrink./ It grows, it takes my place./ It pushes me aside./ It throws me out of the nest. The poem is ready.