19 de junho de 2012

vi - Ces petits riens

(...)
Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.
(...)

i - C'est quoi l'éternité? Adeus não é, apenas, uma despedida. É também uma idade sólida, ainda que sem qualquer endurecimento das artérias. Mas não definida pelo indivíduo nem pela cronologia. É indefinível, portanto, quer pelo eu quer pelo tempo - talvez durma com os mistérios. Se não é do tempo e é da vida,  é um fragmento da eternidade e um fragmento da eternidade é, vedantamente, a eternidade inteira, como um fragmento da matéria é chave da matéria. O infinitamente grande só cabe no infinitamente pequeno. Não, adeus, não é, apenas, uma despedida. É: a Deus. É: para a eternidade. Ou: para nunca mais. Mesmo para o nada, e assim faz-se memória, esquecimento e, por fim, é a morte. O retorno. A matéria inicial: é a Deus e é a eternidade. É assim. Como tão perfeitamente disse a voz que passou pela garganta de Rimbaud: Elle est retrouvée./ Quoi ? — L'Éternité./ C'est la mer allée/ Avec le soleil.