7 de dezembro de 2018

Funciona!

Em pleno Campo de Ourique...
...o botão que reinicializa o mundo. E funciona!

11 de novembro de 2018

Consubstancial à Luz

CONSUBSTANCIAL À LUZ


Emergiu, gerado do majestoso caos,
este coração consubstancial à luz.
E neste mar-tempo todo de impressões debatíveis,
débeis, inter-substituíveis, avança contra corrente,
inalterada jangada indiferente 
de força antiga agora proibida:
antes, chamávamos-lhe Destino,
Amor dentro do Plano Divino,
inevitável eu-tu, inexorável;
hoje, apenas desuso de palavras raras,
e de fundíssimos sentimentos
na alta raiz das coisas claras.

26 de outubro de 2018

De EV a Deus

DE EV A DEUS
Criador e Escriba dos meus passos,
Tu que desenhaste o meu deserto
e a minha errância
e contaste as minhas lágrimas
e me tens no Teu Livro.
Tu, Nome que aprendi, nem sei como,
a bendizer pelo bem quando chega
e pelo mal quando me vem,
pois sei lá eu se Ismael foi expulso
para salvação de José, e se José
foi traído e vendido para reger um mundo,
para salvar um povo...
O que sabemos ambos, Tu e eu,
é que desisti de lutar Contigo:
ganhaste.
Mas não é por isso que a solidão
se parte e lhe descubro dentro
a amêndoa doce que não provei.

24 de outubro de 2018

São rosas, senhor

Não, não é esta metade...


são rosas, senhor

A minha irmã, cunhado e os meus ricos sobrinhos foram ao baptizado do filho de um dos seus amigos. E tudo muito bem. De repente, vindo da mesa das crianças, o cartão vermelho:
- A Cuca disse um grande palavrão.
E aqui faço um parêntesis. Dois. Três. A saber: Cucas são os meus sobrinhos. A Cuca é o meu sobrinho mais novo e tem sete anos. E as Cucas, de sete e dez anos, respectivamente, frequentam o ensino em inglês.
E a minha irmã para o cartão vermelho:
- Falamos sobre isso quando regressarmos a casa. Diga baixinho ao ouvido d'A Cuca que a mãe mandou: nem mais um palavrão.
Quase a chegar a casa, ainda no carro, a minha irmã e o meu cunhado para A Cuca:
- Então, qual foi o grande palavrão?
E A Cuca:
- Hmmm, não me lembro...
Porém a outra Cuca:
- Eu lembro-me: foi dick!
E logo A Cuca:
- Tu percebeste mal: eu estava a falar de metade de uma baleia muito antiga: Dick, Moby Dick.

15 de outubro de 2018

Então, vá...

oopsie...


então, vá.

O meu avô, bicho afectuoso, brincalhão, combustivo e com a força bruta de quem se disciplinou pelo desporto, abraçava. Mas abraçava mal. Era excelente no abraço rápido e forte, mas se a coisa demorava, zás, umas palmadinhas leves nas costas a indicar time's up o que, toda a gente sabe, em português traduz-se por então, vá. 

Ora, se há quem confunda as palmadinhas nas costas com tão bom, mais um bocadinho, posso garantir, apesar de não ser uma especialista, é o oposto. É deslarga-me. É está feito. É se já fui, deixa-me ir. Aliás, uma das minhas grandes especialidades inúteis é isto, ou melhor, é disto: linguagem corporal - dos outros, claro, que não ando com um espelho à frente, e a expressão da aldrabice/verdade conforme ambas são percebidas pelo próprio do aldrabão/verdadeiro que somos todos nós. Sim, o ser humano dito normal mente, ó escândalo, todos os dias. Os homens mentem o dobro das vezes da mulher. Não é, em regra, um mal: é uma defesa, uma estratégia de sobrevivência, uma forma de facilitar as relações cordiais. Já viu o drama que era? Querido, fica-me bem este vestido? Não, filha, faz-te o rabo grande. Ninguém merece, pronto. Enfim, acho quase sempre graça quando as pessoas mentem e quase sempre têm razões bonitas para o fazer, ou boas e práticas. Ou patetas, o que é uma das minhas coisas preferidas: as nossas patetices, o lado vulnerável de cão pequenino a fazer frente a cavalos como o meu lindo Cão fazia só porque era valente. Também somos valentes. Escolho sempre acreditar: quando posso, na mentira, já que fizeram gosto em contá-la, há-de ter importância, quando não posso, tento perceber a razão dela já que se deram ao trabalho. Faço, portanto, que não dei por nada.

Se estiver atenta, o que raramente acontece porque prefiro estar descontraída, há verdades que evito como o diabo à cruz. São as verdades, então, vá. As palmadinhas. As expressões muito óbvias de mas que chatice aturar este agora... Prefiro mentir. Afinal, todos somos cavalos. E cães pequeninos, somos também. À vez. E ora aqui, ora ali. Hoje somos um, amanhã o outro. Com o privilégio de sermos cavalos, vem a responsabilidade de não coicearmos o cão pequenino. Ão.

8 de outubro de 2018

E este, meus senhores, é um grandíssimo texto

E este, meus senhores, é um grandíssimo texto a inaugurar a semana... Ide ler.